Rumo a uma sociologia da agroenergia
Palavras-chave:
biocombustíveis, biodiesel, etanol, teoria sociológicaResumo
Este ensaio é dirigido a sociólogos, a economistas e a todos os membros da comunidade científica afeitos a uma mente inter-disciplinar, ou seja, com habilidade para explorar questões interdisciplinares. Nas discussões aqui empreendidas, procurou-se não perder de vista a dimensão e a essencialidade da abordagem histórica que, necessariamente, acompanha a Sociologia da Agroenergia. Mostra-se que muito das sociedades em transformação é explicado pelas fontes de energia que elas usam, pelas formas como a utilizam e pela busca por novas fontes de energia. Há uma dinâmica social do consumo de energia que é carente de fundamentação. Nela, estão embutidos valores, crenças e formas as mais diversas de convencimento. Argumenta-se que teorias e conceitos sociológicos podem contribuir para um entendimento mais sistemático e inclusivo das questões e das determinações sociais no uso das várias formas de energia. A dicotomia agroenergia e produção de alimentos é discutida tendo como fundamento as condições brasileiras. Nessa discussão, buscou-se dar a dimensão das potencialidades da agricultura tropical para as soluções ambientais de produção de energia e de alimentos. Neste ensaio, a biorrefinaria é tratada não só como o local no qual ocorre a conversão da biomassa em uma variedade de produtos, mas também como o lócus consolidador das novas escalas de valores e de comportamentos não desprezíveis para a sociedade moderna. Essa nova unidade de transformação é exigente em termos de novos padrões de relacionamento social (nova sociabilidade). É defendido que, no processamento que realiza, a biorrefinaria não é estática. Está em mutação, sobretudo com a ajuda de conhecimentos científicos e tecnológicos, o que pressupõe investimentos contínuos e substanciais em pessoal treinado.
