Conservação e coexistência in situ de <i>Gossypium barbadense</i> com algodoeiros geneticamente modificados, no estado do Mato Grosso, Brasil
Palavras-chave:
biossegurança, fluxo gênico, recursos genéticosResumo
O objetivo deste trabalho foi determinar quais recursos genéticos de algodoeiro estão presentes no estado de Mato Grosso, Brasil, para avaliar os riscos associados à conservação in situ desses materiais, inclusive o fluxo gênico de culturas geneticamente modificadas (GM), para determinar a eficácia das zonas de exclusão para algodão geneticamente modificado no estado. Quatro expedições foram realizadas dentro e fora da zona de exclusão, para coletar dados geográficos e morfológicos, dados sobre uso pela população, além de práticas de manutenção in situ em cada local. Determinou-se a presença de proteínas GM em parte das plantas, dentro das zonas de exclusão, e em todas as plantas fora das zonas de exclusão. Gossypium barbadense foi a espécie mais frequente, cultivada principalmente em quintais urbanos e rurais, para fins medicinais. Não houve evidência de hibridização com G. hirsutum, com base na morfologia ou expressão de proteínas GM, mesmo em regiões com longa coexistência. A espécie G. barbadense é o recurso genético mais importante de algodoeiro em Mato Grosso. As zonas de exclusão são desnecessárias para proteger sua diversidade genética no estado. O declínio do uso medicinal é a principal ameaça à conservação, e os esforços de preservação devem priorizar a manutenção de seus usos tradicionais.