Diversificação agrícola como estratégia de resiliência às secas no Brasil
Palavras-chave:
resiliência climática, segurança alimentar, modelo quantílico, agricultura sustentávelResumo
O objetivo deste trabalho foi avaliar o impacto das secas extremas e excepcionais, classificadas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), sobre a diversidade da produção agrícola, medida pelo índice de Shannon, de 2014 a 2023. Dados do Monitor de Secas da ANA e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística foram utilizados para calcular índices de diversidade, em nível municipal, no Brasil. Aplicou-se regressão quantílica incondicional para avaliar os efeitos das secas sobre sistemas diversificados, tendo-se considerado o valor da produção de culturas temporárias e permanentes, assim como o efetivo de animais. Os resultados mostram que municípios com menor diversidade são mais vulneráveis, especialmente na região Nordeste. Culturas permanentes exibem maior resiliência, enquanto as temporárias mantêm perdas mesmo em sistemas diversificados. O efetivo animal apresenta respostas adaptativas, com aumento de diversidade em alguns casos. Embora a diversificação reduza vulnerabilidades, requer políticas complementares para culturas anuais e apoio regionalizado ao Nordeste.
